

EVASÃO ESCOLAR

Michelle Andréa Murta
A primeira doutora surda da UFMG
Michelle Andréa Murta, professora de Letras-Libras e doutora em linguística, é um exemplo de determinação e superação em meio aos desafios impostos por um sistema educacional historicamente excludente. Nascida em Belo Horizonte e criada em Salinas, Minas Gerais, Michelle enfrentou dificuldades desde a infância devido à perda auditiva, agravadas pela falta de estratégias pedagógicas acessíveis nas escolas onde estudou. Sem que os professores identificassem sua deficiência, ela foi reprovada cinco vezes durante o ensino fundamental, o que a levou a abandonar os estudos por vergonha e baixa autoestima.
A virada na sua trajetória ocorreu ao ingressar na Educação de Jovens e Adultos (EJA), em um projeto chamado “Acertando os passos”. Pela primeira vez, Michelle encontrou acolhimento e compreensão, concluindo rapidamente o equivalente ao 5º ano do ensino fundamental. Essa experiência despertou seu desejo de ser professora e sua determinação em mostrar que barreiras podem ser superadas com apoio adequado.
Michelle conheceu a Língua Brasileira de Sinais (Libras) apenas em 2003, quando começou a trabalhar como datilógrafa na Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis). A interação com colegas surdos foi fundamental para que ela aprendesse a língua de forma autodidata. Com dedicação, concluiu o ensino médio e ingressou na graduação em Letras-Libras pela UFSC, ampliando sua compreensão sobre a educação de surdos e as barreiras enfrentadas por essa comunidade.
Após formar-se, Michelle continuou a quebrar barreiras. Tornou-se a primeira surda a concluir um mestrado na PUC-MG e, em 2022, alcançou o título de doutora pela UFMG, defendendo sua tese em Libras. Como professora, dedica-se a promover a inclusão educacional, tanto em sala de aula quanto em projetos como o “Mãos Literárias”, que incentiva a produção cultural em Libras.
A trajetória de Michelle destaca a importância da inclusão no sistema educacional brasileiro. Sua luta demonstra que, com acessibilidade e apoio, é possível superar adversidades e transformar a educação em um espaço verdadeiramente democrático. Michelle, que já enfrentou discriminação e exclusão, hoje inspira jovens surdos e ouvintes, provando que a educação inclusiva é um direito que beneficia a todos.